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Altamira, Maio-Junho de 2009.

Amados irmãos,

"Dediquem-se à oração, estejam alertas e sejam agradecidos". Cl 4.2 (NVI)

Sou grata a Deus pelos irmãos, que têm se dedicado à oração em prol da minha vida nesse ministério entre os indígenas. Peço que vocês sejam agradecidos ao Senhor pelo grande livramento que Ele me deu em 12 de março, a quinta-feira seguinte à morte da indígena que deu à luz uma menina (incidente relatado em minha carta anterior).

A enfermeira da aldeia velha viera dar assistência à aldeia nova, na qual estou, pois o enfermeiro da aldeia nova estava na cidade, e o cacique da aldeia nova estava enfermo. Foi necessário buscar medicamento na aldeia velha, e a enfermeira e uma turminha de índias me convidaram: Sil, vamos buscar o remédio na outra aldeia? Aí, a gente traz goiaba e visita o pessoal de lá. A enfermeira, que eu acabara de conhecer, me incentivou muito a acompanhá-la até a aldeia velha para buscar o remédio.

Respondi que iria, mas só depois de dar as minhas aulas. Quando entrei na canoa, como sempre, perguntei: Gente, o peso está bom? Dá para irmos e voltarmos? O cacique respondeu que poderíamos ir tranquilos. Então, ele empurrou a canoa para dar a partida e ficou parado, observando-nos...

Partimos e, ainda próximos à aldeia, ainda sob as vistas do cacique, a canoa virou! A tripulação, formada por nove pessoas, foi tomada de desespero. Não sei nadar e afundei! Percebi que o cacique estava perto de mim e segurei-o, mas ele me disse: Largue-me, pois meu filho está morrendo (mesmo fraco e doente, ele procurava salvar seu filhinho de seis anos, que também se afogava). Imediatamente eu o larguei.

Aprendi que, muitas vezes, quando estamos com problemas, depositamos esperança em um determinado irmão, mas, às vezes, esse irmão está ocupado e não pode nos ajudar! Quando vi o cacique, que é meu irmão, pois é filho do meu pai da aldeia, nadando em minha direção, pensei que ele vinha me salvar mas me enganei; ele não podia me ajudar, pois estava ocupado, ajudando outro náufrago.

Meu outro irmão me segurou pelo braço. A correnteza nos levou cada vez para mais longe da beira do rio da aldeia. Entrei em desespero e quase o matei, empurrando sua cabeça para o fundo do rio! Afundei e, quando meu corpo emergiu, vi meu pai ao longe, remando em uma canoa, vindo em nossa direção. Pensei rápido: Talvez dê para eu chegar com vida à aldeia! Foram segundos nos quais não deu para pensar em mais nada - só em Deus!

Naquele instante, perdi as forças e só senti a canoa bater em meu corpo. Meu pai me colocou na canoa com ajuda de seu filho. Glórias a Deus! Quando deitei na canoa, desmaiei e só acordei quando paramos à beira do rio na aldeia.

Aprendi que há irmãos que podem nos ajudar, mas que não são suficientes para solucionar nossos problemas. Ele podem nos ajudar a ficarmos firmes enquanto esperamos pelo socorro que vem unicamente do Pai. Nosso socorro vem somente do Senhor, nosso Pai de verdade! Nós, irmãos na fé, podemos nos ajudar uns aos outros, mas somente Deus, que fez os céus e a terra, é quem nos guarda! Ele é a sombra à nossa direita que nos livra de todo o mal! Aleluia!

Quando a canoa ancorou na beira do rio, olhei para o lado e vi a enfermeira, que também tinha sido resgatada. Deus me deu uma força incrível! Eu estava fraca, mas me levantei depressa e a acudi. Tentei fazer respiração boca a boca, embora nem soubesse fazer esse procedimento direito. Tentei tudo o que pude, mas não teve jeito - ela morreu nos braços do cacique.

As crianças e os outros adultos da tripulação, que também se afogavam, conseguiram chegar com vida à beira do rio. O indígena que me segurou até meu pai chegar de canoa bebeu muita água e ficou mal, chegou a vomitar um pouco de sangue. Orei por ele e pedi ao meu pai e a outros que cuidassem dele, pois era o piloto da canoa. Fiquei com medo de ele se suicidar por complexo de culpa pela morte da enfermeira.

Não sei descrever minhas emoções naqueles instantes... Deus preservou a minha vida! Quase morri, fiquei fisicamente fraca, vi a enfermeira morta, fiquei preocupada com o piloto e com os demais indígenas... Enfim, o que sei é que a oração de vocês foi e é de grande valia! Deus me livrou da morte e de possíveis sequelas daquele acidente!

Cinco dias após o naufrágio, a Missão ALEM enviou um pastor para me visitar na aldeia. Ele orou por mim e me consolou. Perguntou se eu queria ir para a cidade, e eu respondi que sim, mas que queria ficar mais uns dias na aldeia para repor forças e para ter coragem para enfrentar uma viagem de mais ou menos 12 horas ininterruptas pelo grande Rio Xingu. Assim foi feito; fiquei na aldeia mais duas semanas e vim para Altamira com um casal de missionários da outra aldeia para participar de um curso de treinamento e para descansar um pouco.

Sinto-me renovada, bem melhor do que antes! Minha viagem de retorno ao trabalho será em 18 de março. Estou certa de que vocês irão comigo em oração e em súplica ao Senhor - por minha família no Rio de Janeiro, pela própria viagem de retorno à aldeia, pelos desafios e atividades na nova aldeia, pela perseguição que nós, missionários, estamos sofrendo na região, por novas estratégias de evangelização, pela saúde dos indígenas e por minha saúde física e espiritual. Na paz do Senhor Jesus, envio um forte abraço a todos com muita gratidão. A obra continua!


Silvana da Veiga Pereira
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